quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O PIOR É QUE - ELA - DAVA

       Confusa manhã de Sol perdido acordou; noite se deitava. Dava-se à cama a moça recém despertada; lençol raspando a coxa nua, pouco à mostra, deixando ainda mais crua a cena passada. Continuavam audíveis, entre os cantos da alvorada, gemidos perdidos, pouco saciados, nos espaços da casa vazia, há tempos abandonada.

       Sábio fim de noite, vícios vividos, brilha a bruma pelo breu: dia dava-se. Pálpebras inchadas, íris contorcidas, despenca no colchão o homem sonado, vencido, pouco à vontade em sua heresia. Garrafas sem alma e copos convencidos adornam o quarto quieto, após sonoras batalhas contra as palavras: saudade.

       Era meia hora do meio-dia, ventos secos estacionavam as árvores, nada era vida; só o amor se dava. O homem pouco à mostra saiu em busca do dia; a moça muito à vontade o dia procurava. Encontraram-se e nem se viram: o homem almoçava vocábulos; a moça comida era.

       A nascente noite estacionava – Lua não havia na história calma de pessoas pouco conhecidas. Berros tímidos quebravam a monotonia do vazio do espaço. Casa e quarto suavam, no frio da madrugada que os unia. Na cama ampla, a moça se dava à madrugada; no colchão de letras, o homem dava-se à sua cria.

      

19 comentários:

  1. BELO, BRAVO, BRAVÍSSIMO.
    MEU AMOR ESTE CONTO ESTA INEXPLICÁVEL E IMENSURAVELMENTE BELO COM PALAVRAS AMOROSAS E POÉTICAS.
    NUNCA LI CONTO MAIS BELO.
    AMO-TE.
    BEIJOS AMÁVEIS.
    DE SUA DRE

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  2. Um dos meus prediletos Du!!!!!
    M. A. R. A. V. I. L. H. O. S. O. !!!!!!

    Estava com saudades de ler seus encantadores poemas, contos, crônicas...

    beijooo

    mamis

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  3. Adoro esse Duca.... Vamos que vamos, que a vida não pode parar.. beijos da Popo

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  4. Oi Eduardo,

    Que beleza de conto!
    Gostei muito.
    Como disse a sua mamis, eu também estava com saudades; valeu a pena esperar.

    Abçs
    Ecila

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  5. Querido Duca,

    Sim, valeu a pena esperar; sempre vale aguardar, não importa o quanto, por suas maravilhas.

    O que dizer de seus contos,particular e especialmente deste seu último trabalho, de uma beleza que impressiona.

    Estupendo, meu amor.

    Sem palavras, você as usou com maestria!!!!!

    Beijo.

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  6. Edu,

    Tento achar mais um adjetivo para dizer o quão MARAVILHOSO é voce e que delicia ler tudo o que voce escreve, porem tudo em vão, pois todos esse adjetivos já usados, portanto, deixo apenas o meu MUITO OBRIGADA por Deus ter dado a todos os seus familiares, amigos próximos ou não tão próximos a honra de poder desfrutar de LINHAS tão magnificas. Presente melhor não há!
    Aceite meu beijo carinhoso, torcendo para que Deus continue a te iluminar!

    Eliana

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  7. Duda,

    Muito bom! Mas ficou-me uma dúvida: Ele era escritor ou praticante de incesto?

    Abs.

    P.S: Baixou??

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  8. Eduardo:

    Então, mais este conto...que bom.

    Ela e ele: "fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho"..Tom Jobim.
    Bravo, Edu!!

    Abçs

    Mariacampios

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  9. Dudu amei...lindíssimo, fluido,sensual. Parabéns. Bjs, Flávia

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  10. Muito bom heim filho?

    Parabéns.
    Vá em frente, não desista.

    Papis

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  11. Que LINDO Edu.

    AMEI!!!!!!!!!!!!

    Jurema

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  12. Meu PRESENTE, que belezaa de conto.
    Fico sem palavras para expressar as emoções que sinto ao ler sua poesias, e seus contos.Que magnífico esse aqui.
    Um beijo
    Vovó Nina

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  13. O pior é que ela-dava..e que maravilha vc. nos DAR mais esse!!

    Valeu.

    Tito

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  14. MUITO bacana!
    Me agradou, Eduardo.

    Marcelo

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  15. Que bonito Eduardo, muito bem escrito.Parabéns.

    Beatriz

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  16. lindo lindo lindo...gosto muito mmo do seu estilo de escrever. Parabéns. Lu

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  17. QUANTA SENSIBILIDADE TRADUZIDA EM POESIA. QUANTA PROFUNDIDADE . QUANTA VIDA PULSANDO NA ESCRITA. SUA POESIA NÃO NASCEU AGORA. ACHO QUE JÁ HAVIA NASCIDO COM VC. APENAS FOI PARIDA NA 25 HORA, UMA HORA NOVA, INCOMUM, CRIADA E CRIANDO POESIA. GOSTO. APENAS GOSTO MUITO. SE EXPLICAR, ESTRAGA, REDUZ, NÃO TRADUZ O QUE QUERO DIZER.
    ABRAÇOS,
    HERA

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