Seu Menino negava: “ Não há Mula. Não”. Mas, assim sendo, era titicado: “ Eu vi a Mula, Seu Menino; Ela me levou”. Os boatos brotavam, a cidade sumia; Seu Menino redizia: “Não há Mula; não”. Só o Homem voltou, narrando que a tal Mula era bonita, encorpada; mas, de preferir, só o outro bicho, a vida toda – e a noite foi ficando fria.
Menino insistia, até dava fé, só, na negação da Mula. Seus primos esvaziavam, os caseiros foram levados, o povo ao léu secava e a tal cisma com a mula quedava-se a cada dia mais pessoal. Estava pronto para provar da sua teimosia a ele mesmo, bastava escutar a noite estacionar e o vento vir do Norte. Apressou-se pronto. Nu.
O olhar à noite é todo escuro, breu, mas não podia duvidar do seu pessoal. Estava despido, entregue ao frio, ao vento, à Lua. Congelou-se quando A viu: volumosa, dura, bem encorpada, com cabelos enrolados espraiados no ar, agarrando a sua carne, desnudada, entregue, apaixonada. Vestiu-se com o vermelho que surgia, violentado, prazeroso. Seu Menino provou a ele mesmo, tredizendo. Saiu assim, de par, para não negar mais nada.

