Por sobre a mesa andava
escrito que alguém já estivera por lá. Quase invisível, restava a mancha do
sangue passado, talhado na madeira, tocando a seca palma do moço curioso. Devia
ter tido dor, assentiu inquieto, olhando ao pedaço de madeira manchado,
teimoso. Serrando os olhos, pôs-se a refletir: teria de existir um princípio
para a mancha – nem que sua exisência fosse forjada, trôpega. Tornou-se
aprumado naquele pardieiro pardarrão, tristonho, perguntando, alto, sobre a sua
dúvida; a contra resposta o insatisfez, deixando-o ainda mais alto.
Lembro-me de um dia,
quando eu quase nem era um rapaz, ter visto ali, acabrunhado, o moço, muito
alto. Foi uma excecão, quando me coloquei a esquecer de todo o resto: a marca
na face do moço era medonha; e nesse ar imóvel resfolegava um fétido aroma que
até hoje insiste em ricochetear minhas ausências. Despertei em muitas idéias,
vivenciei realidades distantes, enquanto defrontava-me à marca única da sua
aparência. Forcei-me depressa para fora, para nunca mais beber da marca.
Ela era mais alta do
que o moço e isso o assustou quando abriu os olhos na visagem dela, buscando se
nortear. Ele a encarou severamente, ruminando memórias difusas, desconexas,
tentando fazer com que a solidão de sua sobrevida se unisse a dela. Os dois se
alinharam em vozes-imagens e colocaram-se a questionar a origem da mancha sobre
a mesa; depois casaram seus diálogos, adormeceram mudos, face a face,
estampados na madeira velha, esculpida.
Não me recordo
porque estava novamente lá, agora longe de ser um rapaz, agora longe de estar
alto. Talvez tivesse voltado em busca da conexão aos meus medos, o passado das
minhas fugas, a minha total abstinência ao profano. A marca da cruz por sobre
minha tez foi encarada no mesmo ato pelo casal alto. Prostaram-se pedintes.
Apenas foram alguns
instantes de conversa e, ao excesso do tempo, expuseram-se por todas as marcas. A
absolvição dada à mancha alegrou o casal, no alto das suas sapiências. As
origens das marcas não foram estabelecidas, apenas estiveram abertas, soltas,
prontas para serem escutadas. Talhando o sinal da cruz por sobre a mesa, as
marcas se confundiram, se misturaram – e
eu, mesmo baixo perante tudo, pude perceber, no invisível, que por sobre a mesa
andava escrito que alguém já estivera por lá.
Estava morrendo de saudades de seus contos!!
ResponderExcluirObrigada por essa beleza,próximo à essa "nossa" data de ESPERANÇA!!!!!
Feliz e Santo Natal, meu filho amado!!
Que o significado do verbo ESPERANÇAR lhe acompanhe todos os dias de 2012!
Um imenso e carinhoso beijo
Mamis
Oi Edu, que bom você de volta!!
ResponderExcluirLi que esta preparando seu livro..não vejo a hora de tê-lo em mãos.
muito bacana esse conto..gostei.
Um forte abraço, Feliz natal
abçs
Marcelo
Muito legal
ResponderExcluirGostei.
ESTUPENDO
ResponderExcluirMariacampios
Lindo Dudu, parabéns. Feliz Natal. Bjs carinhosos, Flávia
ResponderExcluirOi Eduardo
ResponderExcluirSaudades..muito bom essa sua "marca"
vc. consegue marcar a minha memória.
feliz Natal..e não se esqueçe da gente em 2012
abraço
Aleixo
Nossa Duca..que demais essa marca..ela faz diferença.
ResponderExcluirQue em 2012 vc. consiga se projetar ainda mais para a felicidade de muitos apreciadores da boa leitura.Não desista, vc. PODE!!!!, acredite..seu dom é seu, USE-O com garra e perseverança!
OBRIGADA!
Um beijo com a minha adimiração
Popis
Muito bacana filho
ResponderExcluirParabéns!!
Feliz Natal
Sucesso em 2012
abração
papis
Bem vindo Eduardo;
ResponderExcluirSinceramente estava com saudades.
Este seu conto é muito bonito, como todos os demais postados por aqui..gosto do seu modo de escrever; uma forma bem elaborada, poética.
Um forte abraço.
Lins, tocador de bandolim.
Eduardo, que saudade!
ResponderExcluirParece que essa volta veio com tudo, heim?
Muito bom esse conto; essa sua "marca" é que nem coca-cola, é isso aí, Edu,demais.
Um abraço saudoso
Ecila
Ohohoh
ResponderExcluirparabéns!!!
Manoel
Muito bacana..marcou a minha memória.
ResponderExcluirAbçs
Jurema
Quero o livro!
ResponderExcluireheheh
ResponderExcluirvc. voltou!!!
Liz
Marcante
ResponderExcluirLIVRO, LIVRO, LIVRO!!!!!!!!
ResponderExcluireu quero
LIVRO!!!!!!
Passo aqui para desejar à vc. Eduardo um Feliz 2012, cheinho de realizções!!.Que bom que o seu livro esta a caminho..que seja ele o início de uma série.
ResponderExcluirQue você possa nos brindar ao longo do ano novo com as sua belíssimas escritas.
Aproveito para te agradecer, pois em alguns momentos do ano que esta se acabando, pude desfrutar e me deliciar com as suas lindas poesias e contos inspirados.
Um grande abraço
!
Feliz 2012!!!
ResponderExcluirabçs
João
Muito bom!!!!
ResponderExcluirAlguém lá da faculdade me disse sobre vc. e vim conferir..procurei e te achei.
Realmente vc.diferenciado.
Entrarei aqui daqui pra frente pra ler e me instruir..tá fazendo falta por ai..
Ana
Vamo pro livro Porra! Belo 2012 Poeta Santista!
ResponderExcluirPessoal queremos ver todo mundo que tem comentado no blog no lançamento do livro de nosso poeta favorito. Aquele que não comparecer terá seus comentários rejeitados. Programem-se!
ResponderExcluiressa marca afundou na minhalma!.
ResponderExcluirUi, através da sua maneira de escrever aprende-se melhor o português!
Abçs
Marcia amiga de Bia
Oi filho da mãe Coruja! Lindo o seu conto.
ResponderExcluirBoa sorte na carreira literária, a sua sinceridade de expressão... sua sensibilidade e... o seu português.
Abraço,
Isabel
perfeito, bonito e criativo
ResponderExcluirOlá Eduardo, obrigada por mais esta obre de arte.
ResponderExcluirMilk
DIVINA SAPIÊNCIA HEIM....PROSTAMO-NOS PEDINDES DE SUA LEITURA E DO LANÇAMENTO DO SEU (JÁ) MARAVILHOSO LIVRO!
ResponderExcluirABRAÇO ANTÔNIO.
Isso é uma Intervenção de seres sobrenaturais num poema, ou melhor "conto".
ResponderExcluirKYRA
Seus poemas me fazem pensar MUITO!
ResponderExcluirE ao relê-los gosto cada vez mais e minha visão se amplia olhando por vários prismas das sua poesias, contos, enfim, tudo o que você escreve.
A cada publicação vou entendendo mais e mais.
Beijo e minha adimiração
Vovó Nina