domingo, 31 de julho de 2011

DE PAR

              Seu Menino negava: “ Não há Mula. Não”. Mas, assim sendo, era titicado: “ Eu vi a Mula, Seu Menino; Ela me levou”. Os boatos brotavam, a cidade sumia; Seu Menino redizia: “Não há Mula; não”. Só o Homem voltou, narrando que a tal Mula era bonita, encorpada; mas, de preferir, só o outro bicho, a vida toda  – e a noite foi ficando fria.
         Menino insistia, até dava fé, só, na negação da Mula. Seus primos esvaziavam, os caseiros foram levados, o povo ao léu secava  e a tal cisma com a mula quedava-se a cada dia mais pessoal. Estava pronto para provar da sua teimosia a ele mesmo, bastava escutar a noite estacionar e o vento vir do Norte. Apressou-se pronto. Nu.
          O olhar à noite é todo escuro, breu, mas não podia duvidar do seu pessoal. Estava despido, entregue ao frio,  ao vento,  à Lua. Congelou-se quando A viu: volumosa, dura, bem encorpada, com cabelos enrolados espraiados no ar, agarrando a sua carne,  desnudada, entregue, apaixonada. Vestiu-se com o vermelho que surgia, violentado, prazeroso. Seu Menino provou a ele mesmo, tredizendo. Saiu assim, de par, para não negar mais nada.

16 comentários:

  1. Amei, meu amor. Lembro do dia em que eu o li pela primeira vez, e a sensação foi inexplicável - a cada conto, poesia crônica... me surpreendo cada vez mais com você!
    Deixo aqui o meu apoio como sempre.

    Lindo.

    Dê sua mulher

    Andressa

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  2. Nossa, eu meio que me senti "titicada" ao ler esse, filho.

    Dentro dam minha "ignorância" literária, parece um poema "estilo", Guimarães Rosa..Li e reli algumas vezes..pôxa, é MUITO talento..

    É para quem pode e não para qualquer um..

    Hiper beijo, parabéns..amei!!

    mamãe,
    amo vc!

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  3. Muito bom!!!!!! Tô orgulhoso primo. Parabéns! Abção.

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  4. Dudu o que sua mãe falou foi o que eu pensei. Parece Guimarães Rosa, vou dar para meu sogro ler, ele adora este estilo. Parabéns. Bjs, Flávia

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  5. Ae Duda, Vamo, p.... ! Parabéns pela iniciativa, nos brinde com seu talento intelectual assim como faz com o manual nas segundas.Estarei sempre aqui acompanhando e apreciando seus textos apesar de minha ignorância poética.

    Abs.

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  6. Li, gostei, vou entrar aqui para ver mais.

    Talentoso,vc.Parabéns!

    Bom termos um lugar na internet para aprender e desfrutar de uma ótima leitura.

    um abraço

    Ecila

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  7. Nossa,maravilhoso!!!Adorei o seu blog, Quanto talento rapaz.Continue assim que você vai longe!!!

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  8. Um livro não basta, temos que conhecer outros trabalhos do autor...
    Citações, muitas citações. “Reverenciais” teóricos! Muitos também. A escrita original jamais é objetivada tudo vira índice de frases feitas...
    Quando li este poema, senti-me transportado para atemporalidade cognitiva...
    Pouquíssimas palavras que se transformariam em uma peça de teatro...
    Muito bom!!! Parabéns Eduardo!!!
    Abração do louco do seu amigo Ivan

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  9. Um dia eu perdi um menino, e aí veio vc.
    Passei a chamá-lo de "meu presente"; Deus me mandou vc.Que alegria empurrar o carrinho para levá-lo passear, sempre cantando as cantigas que um dia cantaram para mim quando pequena.Lembra do elefante?, do bondinho?.Apartir daí, neste Blog, vc. prova que é o MEU PRESENTE!!!!

    Meu carinho para sempre

    Vovó

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  10. Dudú,você continua a ser meu presente,e cada vez mais presente,à cada vez que leio os contos ou às poesias lindas que brotam dessa sua (cadecinha) iluminada.
    Deus te abençoe
    Da sua avó Nina.

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  11. Esse aqui, é para pensar e pensar..seu estilo é impar.
    Gosto, melhor estou contemplando.

    Mariacampios

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  12. Nossa, Eduardo, GOSTEI e MUITO

    Te desejo sucesso

    Abç,Mara

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  13. Boa tarde Eduardo,

    `Hoje, um amigo me passou seu blog.

    Fantástico. Gostei muito

    Abçs

    José Augusto

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  14. "seu menino"
    tu é bom!!!

    Jurema

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  15. Mas que Legal esse aqui!

    Paulo

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